Memórias de militares

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No primeiro dia do primeiro de Maio de mil novecentos e setenta e quatro, e porque o nosso objetivo no dia tinha sido tomar o Aeroporto Pedras Rubras, hoje Sá Carneiro,  os meus militares estavam nele acantonados, nas instalações do Aeroclub, na altura um club de élite privado e que tinha sede no Aeroporto, mas cujo presidente se mostrou colaborante e disponível.

Os nossos soldados eram uns heróis e o povo entusiasmado, havendo visitas constantes e até inoportunas.

Não havendo ainda a moda das “selfie” que na altura não existiam, nem sequer telemóveis, eram substituídas pelas máquinas fotográficas, de quem visitava e queria uma recordação.

Os soldados obviamente que aproveitavam e mostravam as armas e tiravam fotos com elas nas “poses”  mais aguerridas que se possam imaginar.

Dois deles que entretanto tinham arranjado cada um a sua namorada, de tão entusiasmados que estavam, quiseram demonstrar ás namoradas o quanto eram heróis e vai daí e numa tentativa de ensinar a namorada de um deles a disparar, não se apercebe que a G3 não estava travada e ao carregar no gatilho, disparou a arma que atinge a zona testicular do outro soldado.

Nunca soube quem disparou se ele se a namorada, o que sei é que essa foi a minha primeira baixa,  ainda em Portugal, pois aqueles militares que comigo tomaram o aeroporto  iriam a 30/05 desse mês e ano, comigo embarcar para Moçambique, onde ainda na guerra de guerrilha, perdemos dois militares.

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