Dos resultados das eleições autárquicas de 11 de Outubro, há que tirar de imediato as seguintes conclusões:
No lugar de vencedores incontestáveis: Renato Matos, a sua equipa e o Partido Socialista; Jorge Quintas Serrano e o CDS/PP; Daniel Bernardo, Carlos Maçães e Joaquim Vilar.
Uma vitória amarga – o PPD/PSD.
E alguns derrotados: O Bloco de Esquerda e a CDU. Alguns (poucos) críticos da liderança de Renato Matos no PS (é claro que não me estou a excluir); Alguns nomes do PSD que já nada trazem de novo e estão manifestamente esgotados.A derrota da equipa da Assembleia de Freguesia do PS (menos 647 votos que a lista da Câmara Municipal do PS), a confirmar os avisos feitos à Comissão Política do PS pela má escolha.
Da análise dos resultados o que é que se pode concluir? Renato Matos e o Partido Socialista não só consolidaram o eleitorado de 2005 como subiram 2301 votos (+26%), com a particularidade interessante de que as freguesias representaram um aumento significativo, representando nestas eleições 58% do total dos votos, ao contrário de 2005 em que representaram 52%. É certo que as freguesias da Póvoa de Varzim, Aver-o-mar, Estela e Terroso representam 66% dos votos ganhos (1521), mas não deixa de ser importante esta subida nos locais onde o PS mais dificuldade tinha em conseguir bons resultados. O PS é o grande vencedor da noite eleitoral e posiciona-se numa situação privilegiada para o confronto eleitoral de 2013, pelos motivos apontados, e também porque foi o partido que conseguiu captar a maioria dos novos eleitores, o que significa que a sua mensagem passou. E passou muito bem.
Como previ, o CDS/PP elegeu um vereador e estará com a possibilidade de conseguir um pelouro na vereação, como preparação para uma futura coligação autárquica para 2013. A acontecer é um ganho substancial para o CDS/PP e para Jorge Quintas Serrano, podendo no futuro próximo reforçar a sua posição, pela fragilidade em que ficou o PSD, pois o PS ficou a 920 votos de eleger o 4º vereador e retiraria a maioria ao PSD.
Se a eleição de Carlos Maçães e de Joaquim Vilar pelo PS era mais do que certa, faltando apenas saber qual a diferença de votos, Daniel Bernardo, que pelos seus méritos (6ª eleição), quer por demérito do seu principal adversário consegue uma grande vitória (perdeu apenas 158 votos) e conseguiu mais 204 votos que a lista do PSD à Câmara Municipal. Marca pontos dentro do partido e é, incontornavelmente, um nome a considerar no futuro do PSD local, pela sua mais-valia eleitoral.
Pelas razões já descritas a vitória do PSD, sendo apesar de tudo, uma vitória com maioria absoluta, tem um sabor amargo de fim de ciclo. A tempo e horas o PSD não fez, não quis ou não soube fazer, a sua renovação (não esqueçamos que o Dr. Macedo Vieira faz o seu último mandato), e sai destas eleições numa posição de fragilidade. Do ponto de vista do PSD e dando continuidade aos mandatos anteriores (obras, arranjos urbanísticos, parque da cidade etc), este mandato até não correu nada mal, mas o resultado não foi o esperado. O discurso do PS nas taxas elevadas (água, imposto municipal de imóveis, salubridade, etc), fez mossa, foi bem acolhido pelo eleitorado jovem, e deve levar o PSD a reflectir que a área social também é importante na vida das comunidades. Nada está perdido, mas vai-se assistir a tempos interessantes no PSD nos próximos três anos!
Quanto aos derrotados, o Bloco de Esquerda com as suas questões internas na escolha dos candidatos, fragilizou as suas possibilidades (que já eram poucas). A CDU é um caso curioso, que deveria levar os seus responsáveis políticos a pensar se é possível fazer política local com o seu protagonista na Assembleia da República, e portanto muitas vezes ausente, quando tem uma pessoa de grandes qualidades pessoais e políticas como deputado municipal José Rui Ferreira? Enfim, eles é que sabem!
Quanto aos críticos da liderança do Partido Socialista, metem a "viola no saco", e só lhes resta felicitar o Renato Matos pelos resultados alcançados. Desde já aqui o faço. E desejo-lhe as maiores felicidades políticas. E pessoais.