O título desta crónica enuncia as célebres palavras de Mark Twain, famoso escritor Norte-americano que viveu entre 1835 e 1910, tendo como romance mais famoso as Aventuras de Tow Sawyer.
Começo com estas palavras para demonstrar que na política é perigoso assumir algumas verdades como absolutas, senão vejamos, há um mês atrás parecia certo que o primeiro-ministro se encontrava numa trajectória descendente para aquilo que seria o fim da sua carreira política, bastando apenas esperar pacientemente para que o actual governo caísse e fosse substituído por um de tom mais laranja, pois era isso que a maioria dos Portugueses desejava.
Este pensamento suportado e amplificado por muitos comentadores políticos, mais ou menos qualificados, parecia de todo impossível de rebater pois as circunstâncias políticas pareciam muito difíceis de aguentar, mesmo atendendo às sete vidas de José Sócrates.
Por um lado tínhamos um primeiro-ministro desgastado por uma recessão global em que o desemprego e os impostos aumentaram e as prestações sociais começaram a ser reduzidas, o que levou a um sentimento de enorme contestação por parte do eleitorado que muitas vezes não quer saber de quem é a responsabilidade mas sim culpar alguém que não a si próprio pelo actual estado da sua realidade diária. Por outro lado José Sócrates sofria também o desgaste associado ao processo pouco transparente que foi o licenciamento do Freeport.
Associado a este cenário de quase tempestade perfeita, a nova liderança do PSD que pela primeira vez em muitos anos parecia agradar ao Portugueses, tornava a realidade do nosso primeiro-ministro muito sombria e pouco promissora a médio prazo, algumas sondagens que entretanto foram sendo publicadas já colocavam o PSD como partido mais votado com significativa distância em relação ao partido do Governo.
No entanto conforme Mark Twain disse, as notícias acerca da morte política do nosso primeiro-ministro são no mínimo exageradas, vamos então olhar para os acontecimentos destas últimas semanas que mudaram significativamente a forma como alguns eleitores olham para o actual espectro partidário e para os seus actores políticos.
Primeiro tivemos o desfecho do processo Freeport, que durante 5 anos tanto desgastou o governo, com presunção de inocência relativamente ao nosso primeiro-ministro e embora existindo ainda algum ruído relativamente a falta de tempo que os procuradores alegam como justificação para facto de José Sócrates não ter sido ouvido no âmbito deste processo, julgo que qualquer cidadão mais atento percebe que este processo está morto e enterrado.
Por outro lado o processo PT/Vivo que parecia ser mais uma dor de cabeça transformou-se num ponto forte para a actuação deste governo, e senão bastasse isso a notícia da diminuição do desemprego lançada esta semana, embora estejamos a falar apenas em uma décima(10,9 para 10,8), ajudam a tornar José Sócrates um político menos pressionado.
Mas se tudo parecia correr bem ao primeiro-ministro faltava ainda a cereja no topo do bolo, esta não deixaria de acontecer e ainda por cima pela mão do seu maior opositor, Pedro Passos Coelho, que demonstrando alguma impaciência relativamente ao exercício do poder atirou para cima da mesa uma proposta de revisão Constitucional que conseguiu a proeza de colocar o próprio PSD a bater no seu líder.
Esta proposta levou também a que muitos Portugueses se passassem a questionar acerca da validade de Pedro Passos Coelho enquanto alternativa ao actual primeiro-ministro, pois numa altura em que o desemprego assume um dos seus valores mais altos no nosso País, este vem propor medidas para facilitar o despedimento(ainda por cima sem explicar claramente quais).
Apesar de ser militante do Partido Socialista não me considero um "yes-man" e ainda esta semana votei favoravelmente uma moção contra a introdução de portagens nas Scuts em sede da Assembleia Metropolitana do Porto, no entanto não me restam dúvidas que aqueles que já vaticinavam a morte política do primeiro-ministro devem começar a reformular as suas projecções pois conforme demonstram as últimas sondagens lançadas esta semana, ainda restam algumas vidas a José Sócrates enquanto político cá do burgo.