Associação Empresarial trouxe poveiro que é especialista mundial em Economia do Mar

Subordinado ao tema “Utilização sustentável e ambientalmente Responsável dos Recursos Marítimos da região Litoral Norte” decorreu, no passado dia seis, o segundo colóquio do Varzim Náutico (VN), projeto com que a Associação Empresarial da Póvoa de Varzim (AEPV) pretende dinamizar em várias vertentes a chamada Economia do Mar (EM).
“Queremos chamar a atenção dos decisores políticos, das associações e dos empresários para a potencialidade dos negócios e investimentos ligados ao mar”, recordou José Gomes Alves, presidente da AEPV que não escondeu o regozijo de, para além de outros interveniente, ter garantido a presença de economista “famoso e consultor internacional” até porque, enfatizou, Miguel Marques “é poveiro”.
A sessão permitiu, por isso, conhecer opinião de Miguel Marques como especialista no estudo da Economia do Mar, matéria que chefia na consultora PwC (gigante financeiro nas áreas da fiscalidade, auditoria e consultoria, com um universo de 230 mil pessoas em 153 países) da qual é “sócio”, mas também constatar a sua visão sobre a cidade onde nasceu há 42 anos. Aliás, fica a sugestão para a audição do programa “Em Foco”, da Rádio Onda Viva (na página na Internet em www.radioondaviva.pt – mais especificamente na secção podcast) onde o profissional foi o entrevistado do programa que, na versão radiofónica, passa aos sábados (19 horas) e domingos (21 ).
Miguel Marques é também o autor do barómetro, intitulado Leme, com que a PWC (PricewaterhouseCoopers) há oito anos vai conferindo as oscilações de um aspeto importante para uma nação marítima como Portugal.
E então? Como tem estado a saúde da EM? “Na última década que foi difícil para o país, a Economia do Mar mostrou ser robusta. Aguentou-se mesmo nos anos de declínio da economia nacional e, nos últimos dois anos, tem crescido acima da média do país”, diagnostica Miguel Marques que tem, por isso, um prognóstico otimista: “se não atarem pedras ou chumbo às pernas da Economia do Mar ela nada bem, flutua e cria valor”. E o que pode deitar tudo a perder ou, na melhor das hipóteses a não ganhar, é um velho problema: “o que empata é a burocracia, não deixar as pessoas fazerem projetos, que se nota que têm valor, só porque a organização do país não sabe bem quem deve autorizar”.
No estudo da Economia do Mar, Miguel Marques presta atenção sobretudo a três fileiras: alimentar (onde se insere a pesca); portos e transportes marítimos, e turismo. Com esse ramalhete a surgir permanentemente no seu trabalho, foi providencial a génese poveira como o próprio não ter pejo em reconhecer: “todos os poveiros que moram relativamente próximo da atividade marítima aprendem muito. Quando era criança e adolescente aprendi muito na rua. Ou com o meu amigo pescador ou que outro que tinha o pai embarcado. Foi a vivência do mar, das tradições e dos costumes. O que me ajuda muito agora que tenho mais ciência para tentar chegar a soluções para problemas complicados”. Só lamenta que esse conhecimento, mais marítimo e tradicional, não tenha chegado também pelo ensino. Miguel Marques foi aluno nas escolas do Desterro, Flávio Gonçalves, Eça de Queirós e Rocha Peixoto antes de seguir para a Faculdade de Economia, no Porto.

Seja o primeiro a comentar no "Associação Empresarial trouxe poveiro que é especialista mundial em Economia do Mar"

Deixar um comentário

O seu endereço de correio eletrónico não ficará visível


*