
O Ministério Público pediu esta quarta-feira, pena de prisão suspensa para Manuel Zeferino e Marcos Maynar, respectivamente director desportivo e médico da extinta equipa de ciclismo LA-MSS, no caso do alegado esquema de doping organizado. A sentença será proferida dia 2 de Julho.
No julgamento que está a ser analisado no Tribunal da Póvoa de Varzim, os dois arguidos defendem-se, cada um, das acusações de oito crimes de "administração de doping" e oito crimes de "corrupção de substâncias medicinais e alimentares", tendo na sessão desta tarde ouvido as alegações finais do processo.
O procurador do Ministério Público considerou que, "pelas provas indiciais apresentadas ao longo do julgamento, conclui-se que só os arguidos poderiam ter distribuído aos ciclistas produtos dopantes e elaborado a sua administração".
Na opinião do procurador, foram apurados factos base que evidenciam que "os arguidos são responsáveis pela equipa onde foram apreendidos artigos dopantes em grandes quantidades".
Marina Albino, advogada de defesa de Manuel Zeferino, frisou nas suas alegações finais que "a acusação não tem argumentos práticos para condenar os arguidos" e que o facto de pedir uma pena suspensa é uma tentativa de "compor um ramalhete de coisas que começaram mal".
A causídica colocou em causa muitas das provas apresentadas durante as sessões e afirmou que "esperaria que a acusação dissesse em concreto os crimes que Manuel Zeferino praticou e não apresentasse apenas provas indiciárias de tal".
Maria Albino disse esperar a "absolvição integral do seu cliente", afirmando que "o que resulta deste processo é muita parra e pouca uva".
Com mesma pretensão de absolvição do seu cliente, Caldeira Fernandes, advogado de Marcos Maynar, também contestou muitas das provas apresentadas pela acusação, considerando que "o processo de investigação teve pouco rigor e foi conduzido de forma tendenciosa".