
O jovem Carlos Miranda começou em 1999 a aderir às iniciativas de um grupo de pessoas que “se juntou para realizar alguns cortejos de oferendas, em jeito de brincadeira”. Entretanto, as pessoas começaram a gostar da ideia de se reunirem em volta das tradições da terra e formaram o Rancho Folclórico.
O Rancho está ligado às tradições, usos e costumes da parte agrícola de Terroso, como o próprio nome de Lavradeiras indica. O ensaiador relatou como se fez a reconstituição da actividade ligada à agricultura: “falamos com pessoas mais velhas, auscultamos o que faziam os trabalhadores, enquanto estavam no campo ou nos tempos livres, como se vestiam e o que cantavam”, referiu Carlos Miranda.
Uma das danças características das Lavradeiras é a desfolhada, em que há uma pequena encenação em palco dessa actividade, com o “próprio linha, a vareira, o pezinho, tudo coisas que eram dançadas no final das desfolhadas”.
O Rancho de Terroso tem actuado um pouco por todo o país e também em França. Este ano, em Maio, as Lavradeiras têm na agenda uma viagem à Córsega, mais exactamente a Porto Vecchio. As terras francófonas foram destino de muitos naturais de Terroso nas décadas de 60 e 70 em que havia muita emigração. Há famílias que se estabeleceram e continuam a existir muitas ligações entre as comunidades em França e as famílias em Terroso, sendo geralmente desses aglomerados que surgem os convites ao grupo.
Carlos Miranda referiu que já houve elementos que dançaram no Rancho das Lavradeiras que, “devido à crise, tiveram que emigrar e já fundaram em França novos ranchos, sendo um deles que nos convidou para irmos a Porto Vecchio”.
Geralmente, as actuações em França são muito aplaudidas e acarinhadas, referiu Carlos Miranda, pois “as pessoas sentem muito gosto em ver os seus familiares e conterrâneos nestas visitas”. Por outro lado, para os elementos do grupo, sublinhou, este tipo de viagens também lhes traz “algum novo alento e incentivo, uma forma de premiar também o esforço que vão fazendo ao longo do ano em prol do rancho”.
A função de ensaiador não é muito fácil, diz Carlos Miranda, pois temos que “lidar com pessoas de variadas idades, mas estas acabam por compreender e acatar as ordens porque sabem que só assim podemos progredir”. Depois da actuação nas comemorações do 25 de Abril, na Póvoa de Varzim, segue-se a viagem à Córsega.