O olhar envergonhado que me anda a inquietar tem se revelado menos acanhado. Começo a sentir algo mais por este olhar. Começo a sentir borboletas na barriga quando o vejo. Começo a sentir uma vontade desmedida por o beijar. Mas não me apetece ser a primeira no passo a dar, apetece-me brincar com ingenuidade, coisa que não faz parte do meu perfil, mas apetece-me fingir que sou “envergonhada” para que o jogo da sedução dure o tempo suficiente para aumentar a vontade de trincar aquele sorriso que me tem gelado por dentro. A vontade de dançar com aqueles olhos verdes que me aquecem quando tropeçam nos meus.
Que vontade de te beijar. De te abraçar. De te descobrir aos pedaços. De percorrer as tuas linhas e decorá-las ao pormenor para depois te contar o que li. Vontade de te dar a mão. De ficar nua com o teu corpo nu.
Como é possível eu sentir isto se nunca te beijei, nunca te abracei e tão pouco te disse gosto de ti… como é possível eu gostar de ti se o que me dás é apenas o teu olhar envergonhado…
Já alguém dizia que o “coração tem razões que a própria razão desconhece”.
Até à próxima dança…