Ele olha para mim de forma discreta e com o mesmo disfarce eu retribuo o olhar.
Eu gostava de olhar indiscretamente mas finco o olhar na terra e fico à espera que aquele olhar um dia perca a vergonha e convide o meu olhar a entrelaçar-se com o seu.
Passada uma eternidade da minha última paixão aparece alguém a querer incomodar o meu coração. Não é fugaz como aquela que no passado me roubou o órgão das emoções, nem tão louca nem tão intensa, talvez porque eu já não viva na loucura desmedida que me acompanhou durante anos, mas o simples facto de existir um ser masculino que me cative a atenção é um sinal que tranquei o meu coração somente a “seis chaves”.
Não esqueci o outro olhar, a intensidade da história que já dura há oito anos sem que um nem o outro pronuncie ou escreva a palavra Fim, faz com que não esqueça, faz com que ainda sinta, com que ainda me perca, com que ainda sonhe… talvez por isso eu não tire o olhar da terra e não desafie o olhar envergonhado a dançar com o meu olhar.